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Desde o século 4 a.C., quando foi formalizado pelos gregos, o teatro tem sido usado com diferentes propósitos. Na sala de aula, esta linguagem pode contribuir para fortalecer as relações de cooperação, diálogo e respeito mútuo.

 

O ser humano descobriu que tem duas formas poderosas para se comunicar antes mesmo de dançar, cantar, rabiscar paredes ou desenvolver qualquer outra manifestação artística. Trata-se do choro e do riso – estratégias usadas instintivamente pelos bebês para chamar a atenção dos adultos. Essas duas formas de expressão corporal formam a base do ato de representar. Não é à toa que elas estão desenhadas e pintadas nas máscaras que representam o teatro.

Esse termo diz respeito tanto ao prédio onde se realiza um espetáculo como à própria encenação. Para que o teatro aconteça, é necessário haver um espaço, um ou mais atores, história e público. Há grupos que o fazem em locais alternativos, como a rua ou os edifícios convencionais. Outros optam por suprimir as falas e fazer o personagem dar seu recado por meio da mímica. E existem ainda os que utilizam marionetes no lugar de atores. São muitas as maneiras de essa arte se concretizar.

O teatro foi formalizado pelos gregos no século 4 a.C., mesmo havendo registros mais antigos de representações na China, no Egito e no Oriente Próximo. Ele evoluiu dos rituais primitivos ligados à religião para um espaço cênico organizado. Aprimorado durante o Império Romano, ganhou novos formatos de palco e entrou em período de quase morte entre os séculos 1 e 10, quando a mentalidade medieval não via com bons olhos o fato de o ser humano estar no centro das atenções.

No século 17, o inglês William Shakespeare ressuscitou essa arte, criando as tragédias e comédias mais famosas de todos os tempos. O americano Harold Bloom, crítico literário, defende a tese de que seríamos diferentes se o criador de Romeu e Julieta e da célebre citação “Ser ou não ser, eis a questão” não tivesse existido, pois em seus textos dramáticos ele refletiu e questionou as condições de vida e morte do ser humano, reinventandoo como um todo.

Trazida para o Brasil como instrumento pedagógico pelos jesuítas com o objetivo de catequizar os índios, a encenação foi adquirindo cores nacionais no fim do século 19. Durante esses anos, a linguagem evoluiu, mudou de roupagem e teve filhotes. Um dos mais importantes apareceu há pouco mais de 50 anos: a teledramaturgia, base de um dos ícones da indústria cultural brasileira, a novela.

A criança traz com ela o potencial natural de dramatização, vivenciado nos jogos de “fazdeconta”. A presença dessa expressão artística na escola permite a aquisição progressiva da linguagem dramática e o contato com seus diversos estilos. Os alunos das primeiras séries são capazes de tomar consciência das suas possibilidades como atores desde que a prática teatral seja lúdica e criativa. Quando maiores, a partir dos 10 ou 11 anos, eles estão aptos a dominar o corpo e torná-lo mais expressivo. Os estudantes também já se expressam melhor oralmente e conseguem organizar e dominar o tempo. No plano coletivo, o teatro na sala de aula fortalece as relações de cooperação, diálogo, respeito mútuo, reflexão sobre como agir com os colegas, flexibilidade de aceitação das diferenças e aquisição de autonomia.

 

“A vida é a miniatura do teatro. Ele a aumenta, a embeleza, a sublima. A vida cria o conflito: o teatro o resolve; e, nessa solução, a vida tem aumentado seu patrimônio moral. A vida está cheia de Cyranos, Hamlets e Otelos, mas só depois de a arte os haver mostrado é que o mundo começou a reparar neles”

Procópio Ferreira, ator e dramaturgo brasileiro

Fonte: Nova Escola

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