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O meu encontro com a arte

Em 2015 eu estava no palco para apresentar pela 1° vez uma peça de teatro, aquilo era mais uma experiência que me auxiliaria no meu autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Lembro que no dia da apresentação pensei seriamente em inventar qualquer coisa estapafúrdia e ir embora, porém o encontro que eu tive com a plateia e comigo mesmo naquela apresentação foi tão intensa que eu decidi que o universo da arte seria minha carreira

Mas surge a pergunta: quem vai ao teatro?

Apesar do romantismo dessa minha mudança profissional eu me dei conta de um triste fato, o de que eu podia contar nos dedos as vezes que estive no teatro e que os meus pais nunca pisaram em um, assim como a maior parte da população brasileira. Dados apontam que nas capitais brasileiras somente 1/3 das pessoas foram a teatros ou museus nos últimos 12 meses (Cultura nas Capitais, 2017) e certamente esses números são inferiores em locais afastados dos grandes centros urbanos.

Quando alguém é perguntado se cultura é importante, dificilmente ela responderá que não, porém a arte parece tão distante que trilhar o caminho para acessá-la é muito grande.

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Por que essa desconexão da arte com a população?

  • Formação de base

As manifestações culturais precisam ser entendidas não só como entretenimento, mas como parte do processo educativo de formação de um ser humano crítico. A formação de público para consumirem atividades culturais se inicia já nos primeiros anos de uma criança na escola. É possível que alguém com 30 anos ou mais inicie um novo hábito, mas a probabilidade de isso começar na fase adulta é muito menor.

  • Centralização das atividades

Existem espetáculos apoiados por leis de incentivo que conseguem promover espetáculos a preços populares e gratuitos, entretanto, o perfil do público que deveria ser o maior beneficiário desse tipo de política de acesso não o é. A maior parte dessas atividades ocorrem nos centros urbanos e não atingem quem está na periferia e muito menos quem está em outras cidades longe das capitais, para se ter uma ideia somente 23,4% das cidades no Brasil tem teatro ou salas de espetáculos (IBGE, 2014). 

  • Realidade dos trabalhadores

Quem diariamente passa por uma carga horária intensa de trabalho (seja como empregado CLT, autônomo, pequeno empreendedor, MEI, etc), enfrenta horas de deslocamento de casa-trabalho-casa, encara uma jornada adicional de trabalho doméstico e com dificuldades consegue dormir 6 horas por dia, raramente terá energia física e mental para cogitar o acesso a bens culturais.

Não é toa que ao dizer para as pessoas que irei a uma peça teatral, isso soe como uma coisa rara e chique. Eu já encontrei pessoas que disseram que não sabem nem que roupa utilizar para ir até o teatro.

  • Arte exclusiva para intelectuais

A arte é importante como a manifestação cultural representativa da sociedade e, como tal, tem origem no povo e deve estar conectada com o momento presente. Por mais que a arte tenha o papel de gerar provações e romper padrões adotados pela sociedade, o artista não pode cair na armadilha de esquecer o público e fazer obras artísticas que segundo a sua própria visão apenas um seleto grupo de intelectuais teria a capacidade de ver. O teatro não deve ser feito para que outros atores vejam, mas para as pessoas. O artista provoca, mas está conectado com o seu tempo.

Por fim…

É poderoso experimentar o encontro com a arte, ela é importante para a formação de um indivíduo e de uma sociedade, com a cultura fortalecida todos ganham. Para isso é necessário que setor público, empresas e artistas observem os aspectos que tem distanciado o público de teatros, museus e outros eventos culturais.

E você já pode começar a mergulhar no universo da arte e contribuir para a formação de público, uma boa dica para os curitibanos é buscar o Festival de Teatro de Curitiba que acontece anualmente com diversas atrações pela cidade e com peças gratuitas.

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